De: Ralph Biasi@75 – Para: chico@americana.gov – PARTE 2
Ilustre prefeito Chico Sardelli, desculpe a demora em retomar nossa prazerosa conversa, Brasília me consome. Poder partilhar com você daqueles anos cheios de compromissos e festividades me deleita. Antes de te contar sobre o esplêndido 12 de novembro de 1975, me lembrei que não falei de como se deu a construção do grandioso viaduto para ligar a Avenida da Saudade até aquele ponto que foi desapropriado da família Zanaga. Esta obra foi moderna e arrojada, como o meu governo. Como engenheiro, supervisionei todo o processo, embora a responsabilidade fosse da Prodam, empresa que também criei na minha administração. Iniciei os trabalhos em julho de 1975 e inaugurei em 365 dias. Oito mil e duzentos metros quadrados de construção.
Em nossa última conversa falei sobre as ironias da história e veja só: justamente o mote utilizado para a criação do centenário de Americana, a estação de trem, que tanto orgulho e desenvolvimento trouxe ao nosso município, é hoje com sua linha férrea considerada um transtorno. Contudo, parece que alguma compensação você pode conseguir da concessionária para fazer outro viaduto para duplicar o Amadeu Elias. Será que dá tempo de colocar uma merecida placa com seu nome? Como anda esse assunto? Espero que esteja caminhando, assim como espero que a estação esteja bem conservada, quiçá tenha se transformado em um ponto turístico de nosso centro.
Aliás, foi na praça XV de Novembro, aos pés do Amadeu Elias, que iniciei as atividades comemorativas no dia 12 de novembro de 1975 (“O Liberal” chamou de a “festa do século”), inaugurando, após o desfile do tiro de guerra, o “Obelisco do Centenário”, acompanhado pelo príncipe D. Pedro de Orleans e Bragança (bisneto de D. Pedro II) e do governador Paulo Egydio Martins, que na ocasião fez comentários a respeito do “progresso do município, de sua história e constituição étnica”. Na placa com meu nome, fiz questão de colocar a estrofe do hino composto por Walter José Faé, segundo colocado no concurso do hino do centenário.
Seguidos pelo grande público, nos dirigimos para a estação da Fepasa, onde o príncipe D. Pedro descerrou a placa em sua homenagem, ao lado da placa em homenagem ao seu bisavô, que há 100 anos havia inaugurado a estrada de ferro. Emocionado, D. Pedro usou a palavra agradecendo as homenagens e fazendo alusões a D. Pedro II. Em seguida, fomos para o palanque da praça Comendador Müller para assistirmos ao grande desfile.
Desse desfile, muitas entidades e escolas participaram, foi aberto pelo tiro de guerra e, em seguida, o Lions Clube Norte desfilou contando a história de Villa Americana há cem anos atrás, com charretes e vestimentas do século XIX. As escolas intercalaram-se na apresentação do rico comércio e do transporte das melancias com carros de boi. O Ginásio Industrial desfilou a galeria de todos os prefeitos que me antecederam. Foi quando meu retrato também passou pela avenida abrindo espaço para Americana atual e todo o seu desenvolvimento industrial.
Após o grandioso desfile, seguimos para a Fidam, onde o governador descerrou a fita inaugurando a XV Feira Industrial de Americana e todos assinamos o livro ata para nos dirigirmos ao Clube do Bosque, onde foi oferecido um almoço às autoridades.
Foi um grande dia, um dia pensado com carinho, com ações que contassem um pouco da nossa história. Preservar a nossa história com diferentes iniciativas sempre foi uma preocupação minha. Espero que continue sendo uma preocupação da prefeitura depois de tanto tempo.
*Inspirado em Elio Gaspari e Charles Baudelaire
