Olympia e Silvino – um hino ao amor e ao combate!

“Dona Olympia – no dia em que a gratidão de todos nós se volta, com verdadeira nostalgia, para os longínquos dias de nossa infância escolar, com o coração transbordando de saudades e cheio de sincera gratidão, venho beijar as mãos de minha primeira mestra e oferecer-lhe esta modesta lembrança”. Foi com esta dedicatória que, em 15 de outubro de 1933, o então prefeito Antônio Zanaga presenteou a professora Olympia Barth de Oliveira e a felicitou pelo Dia dos Professores, quase 30 anos após sua chegada em Villa Americana, décadas de contribuição não apenas na educação, mas na história deste lugar.

Silvino José de Oliveira nasceu em 8 de janeiro de 1874; Olympia Barth de Oliveira, em 23 de agosto de 1885. Ambos em Itapetininga. Seus destinos se cruzaram em Villa Americana no início do século. Quem chegou primeiro por aqui foi Silvino, em 1902, um ano depois de iniciar sua carreira no magistério. Diplomada pela Escola Complementar Peixoto Gomide em 1903, Olympia mudou-se pra cá no ano seguinte, começando a lecionar sob a direção do professor José da Cunha Raposo. Ao seu lado, colegas de ofício como Otávio Soares de Arruda, Inácio Dias Leme, João Solidário Pedroso, Delmira de Oliveira Lopes, Risoleta Lopes Aranha e… Silvino, seu futuro marido, com quem teve quatro filhos: Honorato, Margarida, Cira e Caitha.

Na década de 1910, com Silvio Sales, Olympia e Silvino fundaram o jornal “O Combate”, que circulou entre 1916 e 1921 e teve, como uma de suas grandes conquistas, que morasse na vila o subprefeito do distrito, indicado pelo prefeito de Campinas. Em 1917 e 1918, o jornal esteve semanalmente preocupado, denunciando a “inércia do poder público em combater as epidemias de maleita e gripe espanhola” que assolaram o distrito de paz de Villa Americana. Apenas em 1917 foram sepultadas 229 pessoas, sendo 153 menores e 76 adultos, no Cemitério Municipal da Saudade.

Na edição de 14 de novembro de 1918, “O Combate” publica o quadro “Grippe Hespanhola, conselhos ao povo” junto à notícia de que finalmente a Prefeitura de Campinas decidira apoiar as iniciativas locais de organização de um posto de socorro, a ser instalado na sede da Sociedade Italiana, onde os doentes receberiam remédios, roupas e conselhos sobre higiene. Olympia e Silvino, mesmo cuidando de tantos corpos magros, cansados de tremer, cansados de tossir, sabiam que a força da vida mais mesquinha é um milagre de todo dia.

Com a criação do Grupo Escolar “Dr. Heitor Penteado”, já na emancipada cidade de Villa Americana, Olympia passou a lecionar sob a direção do professor Alcindo Soares do Nascimento, e lá se aposentou em 1938. Destacou-se também na alfabetização de adultos. Silvino, por outro lado, granjeou muito sucesso como maestro, músico e professor de música. Formou quatro bandas, tendo a Lyra Municipal realizado diversos concertos, concorrendo para que Villa Americana ficasse conhecida em todo o estado.

Silvino faleceu em 30 de outubro de 1956, aos 82 anos, e, menos de dois anos depois, foi homenageado através do decreto estadual 30.965, publicado no Diário Oficial de 13 de fevereiro de 1958, através do qual o governador do estado, Jânio Quadros, deu ao Grupo Escolar de Vila Cordenonsi a denominação de “Professor Silvino José de Oliveira”.

O mesmo aconteceu com Olympia, que faleceu em 14 de agosto de 1966, aos 81 anos: o Grupo Escolar do Jardim Ipiranga recebeu o nome da professora em 23 de março de 1970. Em 1975, foi alterada a nomenclatura para Escola Estadual de 1º grau “Professora Olympia Barth de Oliveira”.

E foi, como um hino ao amor e à educação, que este casal combateu as mazelas da saúde pública e contribuiu para a diminuição do analfabetismo no rico distrito de paz de Villa Americana.

Olympia Barth de Oliveira dá nome à escola estadual do Jardim Ipiranga

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