Sugestões para o Carnaval 1926

Lembrando ao querido leitor que “approxima-se o reinado da alegria! Villa Americana, como todos os annos, comemorará condignamente a passagem do grande Rei Momo por sobre a terra.” Nossa coluna solicita a todos uma viagem de fantasia para que apresentemos algumas sugestões de folguedo sugeridas pelo jornal “O Município”, em edições de janeiro de 1926.

Mas antes alertamos aos foliões para aproveitarem a grande queima de estoques, com grande sortimento de marcas e produtos, oferecidos pela popular Typographica Piccoli: “Mais de 50.000 serpentinas, 500 dúzias de lança-perfume, confettis e máscaras. Tudo com preços 30% abaixo dos valores praticados em 1925. Procurem a Rua Carioa, 274 – phone 62”.

Os redatores do referido jornal davam sugestões para o corso de 1926, pois, segundo eles, “em 1925, o nosso corso foi muito mal feito, sem regra nem methodo”. Devido ao grande número de veículos existentes, sugeriram que seria muito mais “chic” a criação de duas filas: a primeira seguiria pela Rua Antônio Lobo, subiria a Rua Carioba, viraria à esquerda na Capitão Corrêa Pacheco para subir a Rua 12 de novembro, virando à esquerda na Rua da Imprensa Campineira (atual 7 de Setembro), descendo a 30 de Julho para recomeçar o mesmo itinerário; a segunda faria o mesmo percurso, porém em sentido contrário, ambas encontrando-se na Antônio Lobo.

Aos leitores que preferissem algo mais exclusivo e reservado, era indicado os três bailes carnavalescos do Theatro Central. A empresa Carmine Feola já havia contratado a famosa “Jazz – Band Carlos Cruz”, e existia a promessa de um novíssimo repertório, com destaque para as músicas brasileiras cantadas, entre elas, “Apague a Vela, Maricota”, “Tira o Cachimbo Dahi”, “Não Solte Fumaça” e “Comidas, Meu Santo”. Diziam que seria fogo na roupa! Aos assinantes do referido jornal, as frizas custavam 67$000 (sessenta e sete mil contos de réis) e as cadeiras 10$000 (dez mil contos de réis). Restavam apenas seis frizas e a bilheteria não funcionaria durante os bailes.

Para aqueles que apreciavam passeios tranquilos e familiares, a grande expectativa era a inauguração do “Eden Parque”. As obras estavam adiantadíssimas e, segundo seus proprietários, Emilio Brambilla e Domingos Vitta, ficariam prontas para o Carnaval. O local tinha “aspecto agradável e attrahente”. O público encontraria neste recinto um “ótimo ponto de distração nas suas horas de ócio”.

Infelizmente, devido às fortes chuvas que castigavam o estado havia dias, talvez não ocorresse carnaval no “Club Carioba”. O campo de futebol e toda a parte baixa do bairro estavam alagados e a água atingia a altura dos guichês do estádio. As dependências do Club Regatas também haviam sido tomadas pelas águas e o trampolim levado pela correnteza. Eram 30 mil metros de lenha da Rawlinson, Müller e Cia boiando em seus pátios.

Nossa coluna agradece o gentil convite, do mestre Francisco Lapierre, para a íntima festa de abertura da exposição de pinturas de seus alunos. A exposição será depois aberta ao público e deverá permanecer após o Carnaval.

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