Abrahim Abraham e a Citra
Este ano comemoraremos os 110 anos do nascimento de Abrahim Abraham, que nasceu em Campinas em 29 de junho de 1916. Filho dos imigrantes libaneses Milhen e Xafica (Sofia), Abrahim e a família mudaram-se em 1926 para Americana em 1926, onde ele montou uma loja de armarinhos na Rua 12 de Novembro.
Em 1933, Abrahim formou-se em contabilidade pela Academia de Comércio São Luiz, de Campinas, e começou a trabalhar na fábrica de fitas de Hans Schweizer, enquanto fazia um curso técnico têxtil.
Aos 25 anos, tornou-se diretor de um empreendimento que representou um marco na história da indústria têxtil e do município de Americana. Ao lado de Álvaro Cechino, Carlos Matthiesen e Gê Godoy, inaugurou, em 31 de agosto de 1941, no número 292 da Rua 30 de Julho, a Citra (Cooperativa Industrial de Tecidos Rayon de Americana).
A solenidade daquele domingo começou às 11h, com a presença de grande público. Contou com a benção do pároco Epifânio Estevam e com a presença de representantes do Governo do Estado, imprensa, atacadistas e varejistas da capital e do interior. Nesta data foi realizada a entrega do título nominativo aos cooperados, acompanhado do primeiro pagamento.
A Citra foi a maior cooperativa do País, contando com cerca de 50 tecelagens cooperadas, reunindo mais de 700 teares. Impactou a produção nacional de tecidos rayon, principalmente por resolver o problema dos pequenos produtores em comprar fios. A elaboração e execução dessa empreitada começou em 1938, com a assessoria do diretor do Departamento de Assistência ao Cooperativismo do Estado, Otávio Tamanik.
O presidente da cooperativa, Carlos Matthiesen, disse à época ao jornal “O Município” (edição nº 912, de 7 de setembro de 1941) que “o volume do capital (maquinas e trabalho) asseguram à Citra, como força de conjunto, um conceito de grande relevo e credito nos meios comerciais, industriais e financeiros do paiz” (grafia original).
A renda dos pequenos fabricantes aumentou consideravelmente, pois, além do preço do produto, recebiam um custeio e comissão das vendas. A Citra padronizou e elevou também os salários dos operários. Entre outras implementações, essas medidas eram muitas vezes atribuídas a Álvaro Cechino, que passou a ser considerado comunista por outros empresários.
Em 24 de setembro de 1944, Abrahim casou-se com Cecília Fornasiero, que conheceu no footing da Praça do Jardim, como era conhecida a Praça Comendador Müller. Na comemoração das bodas de prata dessa união, em 1969, o emocionado Abrahim Abraham viveu a experiência de levar sua filha Sandra para o altar.
Mesmo após grandes realizações como empresário e homem público, não deixou de dividir o balcão do bar Caçula com todos e “não ficava constrangido por chorar quando recordava sua genitora”, nos contou Jessyr Bianco, no comovente obituário de Abrahim Abraham publicado no Liberal em 10 de fevereiro de 1998.
