Grupo Escolar “Dr. Heitor Penteado” e Professor Alcindo Soares do Nascimento
“Quem está de sapatinhos e meias? Então sentem aqui na primeira fileira. Aqueles que estão com sapatinhos sem meias, sentem na segunda fileira. Os meus queridos alunos que vieram sem sapatinhos, formem na última fileira, quero todos olhando pra frente…”. Assim a professora Edwiges Tomazi organizou sua turma de alunos para posarem para um retrato fotográfico. As mazelas da miséria, em um país analfabeto e agrário, que começava a engatinhar no processo de industrialização, não tiravam a alegria e o brilho do olhar daquelas crianças, um olhar repleto de sonhos, sem desistir de se maravilhar com as miudezas, o que dirá de um grande evento como ser fotografado.
Dois daqueles personagens da foto, Oswaldo Paciulli e Zizo Fortunato, são amigos até hoje. Ali, garotos, estão juntos à professora Edwiges Tomazi e ao diretor Alcindo Soares do Nascimento. O cenário é o Primeiro Grupo Escolar “Dr. Heitor Penteado”, no prédio de sua primeira morada, em frente à Praça Comendador Müller, por volta de 1940.
Diretor por 30 anos daquela instituição, Alcindo Soares do Nascimento nasceu em Piracicaba, em 6 de maio de 1893. Iniciou sua carreira no magistério em 1911, como professor da escola masculina do bairro Morro Agudo, em Orlândia. Em 1914, foi para Monte Mor. Nomeado diretor das Escolas Reunidas de Villa Americana em 23 de março de 1923, tornou-se, em 22 de janeiro de 1925, diretor do Grupo Escolar de Villa Americana, estabelecimento que, a partir de 1930, passou a ser o Grupo Escolar “Dr. Heitor Penteado.
Alcindo Soares do Nascimento, em diversas fotos, está sempre altivo e esguio, com porte fidalgo e aristocrático, como descrito também por sua esposa em carta ao jornal “O Liberal”, em meio às homenagens póstumas. Segundo Brasilia Valente do Nascimento, seu marido era austero, mas muito simpático. Como diretor, além da preocupação com a disciplina e a seriedade nos estudos dos alunos, sempre esteve atento aos problemas físicos da instituição, cobrando recursos e melhorias, como atestam diversos ofícios encaminhados à Câmara Municipal. Em junho de 1931, empenhou-se para a fundação da Associação de Pais e Mestres de Villa Americana.
Aposentou-se em 15 de julho de 1953, após 42 anos de profissão. Na ocasião, moradores organizaram um grande jantar em sua homenagem, no moderno restaurante do Hotel Cacique. Foi uma noite de muitos discursos em honra do grande mestre.
Passou os anos da aposentadoria com a família, na Rua Maria Monteiro, em Campinas. Em 19 de julho de 1970, esteve pela última vez em Americana, para visitar seu amigo Antônio Zanaga, uma hora antes do ex-prefeito falecer. Alcindo faleceu dias depois, em 23 de julho.
Em 7 de outubro de 1971, através de lei assinada pelo governador Laudo Natel, o Ginásio Industrial Estadual de Americana ganhou um nome, “Professor Alcindo Soares do Nascimento”. A escola estadual, que hoje tem o professor Alcindo como patrono, realizará comemorações de seu cinquentenário em 2026. Ajude-nos a contar mais este capítulo da história da educação de nossa cidade.
