De: lirauciogomes@drbahiano1925 – Para: leodapadaria@camara.gov2025

Prezado Léo, há muito, muito tempo que estou para te escrever e saudá-lo. Que ano maravilhoso para a Câmara Municipal de Americana: 100 anos de história! Ave Maria, parece que foi ontem… Tenho acompanhado, atentamente, as publicações semanais feitas em homenagem às legislaturas posteriores a que eu presidi. Elas ajudam a decifrar as coisas que são importantes e preservá-las do esquecimento. Quanta foto linda, quanta informação… Fico besta de tanta coisa que aconteceu por aí, “tudo corre e chega tão ligeiro”, vixe, como a Villa cresceu!

E neste centenário o que mais me enche de orgulho é o fato de o Legislativo americanense ser presidido por um conterrâneo. Sim, Léo, também sou baiano, mire e veja, o primeiro presidente da Câmara Municipal de Americana nasceu em Villa São Francisco. Mas faz um bocado de tempo, Léo. Nasci em 26 de dezembro de 1882, fui para Villa Americana somente em 1905, logo depois de formado em medicina.

Toda a prosperidade e o rico comércio, propagados por este mundão, não eram invencionices, e ainda tinha uma estação de trem bem no coração da Villa. Ah, aquela estação… Quanta gente desembarcou ali, de toda parte do mundo, gente sem afoitez vadia. Tratei logo de buscar meus filhos e esposa amada.

Trabalhei muito e construí grandes amizades. Que saudades tenho de Sebastião Antas de Abreu… Eita português arretado! Ele tinha parte com o ilustre advogado de Campinas, o doutor Antônio Lobo, homem que nunca falava vazio. Lutamos juntos durante anos para conquistarmos a emancipação de Villa Americana. Uma peleja danada, que contou com a ajuda de muita gente porreta. Sabe, Léo, hoje vejo que a Câmara de Americana, ao reconstituir o passado, faz com que eu sinta que efetivamente desempenhei, junto de valorosos moradores da Villa, um papel ativo nas vicissitudes e transformações de meu tempo.

Logo após a conquista da elevação a município, em 12 de novembro de 1924, realizamos nossa primeira eleição. Ela aconteceu em 14 de dezembro de 1924 e eu fui um dos candidatos eleitos para o cargo de vereador. Depois de quase 20 anos clinicando na Villa, atendendo em todos os arrabaldes, gente ilustre e capiau, tinha grande satisfação em ser saudado pela rua com um carinhoso “bom dia, doutor baiano!”.

Na verdade, não falo disso por vaidade, mas sim para pedir uma opinião, me declare, franco, peço: ouço dizer que os costumes demudaram, que hoje essa saudação pode ser usada ofensivamente, mas não consigo conceber tal coisa. Valha-me Deus, são apenas lelequices de seu tempo, meu amigo? O que aconteceu?

Em 15 de janeiro de 1925, realizamos a sessão de instalação da Câmara Municipal de Villa Americana e a posse dos seis vereadores eleitos: eu, Jorge Gustavo Rehder, Luiz Delben, Sebastião Antas de Abreu, Flávio Lopes e Angelo Orlando. Susseguinte realizamos a eleição da Mesa, fui eleito presidente e Sebastião Antas de Abreu o meu vice. Nem sonhava com essas meremências. Em seguida elegemos o prefeito e seu vice: Jorge Gustavo Rehder e Flávio Lopes, respectivamente.

Voltamos a nos reunir no dia seguinte. Que labuta da peste, vixe, quanto trabalho a ser realizado. Começamos do zero, aprovando um regimento interno, discutindo taxas e impostos, analisando solicitações de inúmeras licenças para um sortimento de indústrias e comércios. Mas ainda tinha a questão da dívida pública com o município de Campinas, devido ao desmembramento, e a definição de nossas divisas. Ôxe, mas tudo isso, Léo, é assunto que carece de prosa em outra ocasião. Cumpadre Quelemém chegou aqui e “visita em casa, comigo, é por três dias!”. Um abraço arretado e inté.

Formado em medicina, Liráucio Gomes era conhecido como o "Dr. Bahiano"
Léo da Padaria, presidente da Câmara em 2025

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