De: lirauciogomes@drbahiano1925 – Para: leodapadaria@camara.gov2025 – parte 2
Caro amigo Léo, que estas palavras te encontrem de costas guardadas a poder de minhas rezas. Desculpe a demora dessa conversa continuada, afora a pasmaceza de meus dias, o tempo parece galopar mais ligeiro. Agradeço as notícias recebidas, “a saudade me alembra, que se fosse hoje, desta terra de beleza”, desta cidade mulher, com alcunha de Americana.
Proseava com vosmecê sobre nossa primeira Câmara e seus vereadores, de que tanto um era bom, como o outro bom era. A nossa principal característica em comum era o fato de que tínhamos labutado pela independência dessa amada Villa Americana, mas em tantas outras éramos diversos.
O presidente do Partido Republicano Paulista local, homem que até doutor, padre e rico se compunham ao chegar perto dele, Hermann Theodor Muller Carioba, foi muito habilidoso em reunir representantes de diversos setores, aumentando o poder de interlocução. A primeira Câmara foi composta por um médico, um industrial, um produtor rural, um farmacêutico e comerciantes.
Essa Câmara teve mandato “tampão” de apenas um ano, pois nossa emancipação veio fora do período eleitoral da nossa jovem República. Mas quanta demanda de precisão a cumprir. Contava a vosmecê sobre os primeiros trabalhos que desempenhamos aí na Câmara, há 100 anos, que labuta da peste, vixe. Vendo as fotos do Instagram da Câmara de hoje, fico besta, não me canso de pasmar com tantas transformações e crescimento, ainda mais quando recordo do perímetro urbano que criamos na lei nº 1 de Villa Americana, um pequeno quadrilátero onde hoje é o Centro dessa formosa cidade. Alonjado, tudo era campo subindo verde, até chegar ao alto da colina, onde se acendiam velas nos altares do nosso cemitério.
Susseguinte criamos a lei nº 2, que tratava da taxa de cobrança dos impostos predial e metros corridos. Uma labuta danada, procurando justeza para o povo villamericanense e a municipalidade. Arrepare que tudo isso feito no dia 6 de maio de 1925, está tudo aí, nas atas, para não dizerem que falo vazio. E tudo isso, Léo amigo, com quatro funcionários: o Feliciano Costa Pinto como tesoureiro e secretário da Câmara e da prefeitura, o Idalécio Castro como lançador e como fiscais o Juvêncio de Almeida e o Benedito Soares.
A primeira obra de vulto foi a construção da ponte sobre o Rio Atibaia, que liga o nosso município ao de Campinas, por Cosmópolis, onde passou a trafegar a jardineira que nos levava aquelas duas cidades. Obra grandiosa, uma belimbeleza, quer pela solidez, pelo aspecto, como também pelo número de pilares dentro do rio (cinco), inteligentemente construídos de concreto nas bases e tijolos na parte restante, sendo a estrutura superior composta de vigas de ferro rebitados entre si e suportando o tablado de pranchas de madeira de lei. Tudo isso realizado em 72 dias. Trabalho planejado e executado pelo nosso primeiro prefeito, o Jorge Gustavo Rehder, homem com mão leal e que não fraquejava.
Devido a tanta peleja, em 12 de novembro de 1925 as comemorações de nosso primeiro aniversário de emancipação foram acanhadas, mas fechamos o comércio e colocamos uma anda no coreto da matriz. Tínhamos também uma nova eleição para preparar. Esta ocorreu em 29 de novembro de 1925 e manteve a mesma composição para a segunda Câmara.
Agora, reboliço de festejo, fizemos mesmo foi em nosso segundo aniversário. Ave Maria, trouxemos todos os celebérrimos do governo, inclusive nosso grande patrono, o doutor Antônio Lobo. Mas isso tudo te digo depois, pois um caba merece um tempinho de range rede também. Inté, meu amigo!
Inspirado em Elio Gaspari e João Guimarães Rosa
