Constantino Augusto Pinke
Após o processo penoso e desafiador da imigração, famílias oriundas de várias regiões alemãs começaram a encontrar-se aqui no Brasil em fins do século XIX. Assim foi o caso de um ramo familiar fruto da junção de imigrantes da Baviera e da Prússia, cujas sementes eram pertencentes de numerosas famílias: os Mass, os Dittberner, os Taller e os Pinke. De Germano Augusto Dittberner e Emília Mass nasceu Maria Otília, na cidade de Casa Branca, e de João Carlos Pinke e Maria Taller, nasceu Constantino Afonso, em Campinas.
Essas famílias, por motivos distintos mudam-se para terras recém-abertas para a constituição de um vilarejo, chamado Leme. É nesta região que, em 29 de dezembro de 1894, Constantino Afonso Pinke e Maria Otília Dittberner se casaram e tiveram 11 filhos.
Nascido em 4 de dezembro de 1895, na cidade de Leme, Constantino Augusto Pinke, sendo o primogênito do casal, tinha a incumbência de cuidar da avó paterna, com quem aprendeu o alemão, a mesma que desejava que seu nome fosse Diogo e fez consagrar este nome como apelido. Em 15 de dezembro de 1910 concluiu o curso preliminar, hoje equivalente ao ensino fundamental, no Grupo Escolar “Coronel Augusto Cesar”.
Constantino Augusto Pinke decidiu pela carreira do magistério ao invés de seguir os passos do pai, que era comerciante, e passou a estudar na Escola Normal Primária de Pirassununga, onde também realizou o serviço militar e dedicou-se ao teatro. A colação de grau do estudante normalista ocorreu em 22 de novembro de 1917, o que o levou de volta para Leme e, em 12 de janeiro de 1918, foi nomeado professor substituto na escola de seus primeiros estudos.
Quando surgiu uma vaga de professor efetivo, o professor Pinke foi o candidato nato para assumir o cargo. Neste mesmo período ocorreu um julgamento criminal e seu pai acabou sendo sorteado como jurado, negando-se em atender a solicitação do chefe político local em absolver um homicida e o condenando, o que fez com que a nomeação de Pinke como professor não ocorresse.
Preterido em suas aspirações, Pinke deixou Leme para fundar o “Colégio Pestalozzi”, em Campo Grande, que na época pertencia ao estado do Mato Grosso. Mas o isolamento e a saudade familiar logo o fizeram vender a escola e voltar para o interior de São Paulo. Foi então nomeado para lecionar na recém-criada escola rural do bairro de Santa Cruz dos Lopes, pertencente a Itaporanga, em 7 de julho de 1920.
A grande novidade da fundação da escola e a chegada de um professor foram assunto entre a população carente local. As aulas eram ministradas embaixo de árvores e somente depois seria construída uma sala de aula. Em seus relatos, o jovem professor registrava admiração pelo fato de que todos usavam faca na cintura, inclusive as crianças.
Em 4 de novembro de 1921, através do Delegado Regional de Ensino, o professor Sud Mennucci, foi nomeado para o cargo de diretor das Escola Reunidas de Carioba, em Villa Americana. Sua carreira profissional e a história de sua vida seriam seladas por este recomeço. É em Carioba que o professor Constantino Augusto Pinke conheceu aquela que seria sua esposa por 48 anos e trabalharia até aposentadoria. Mas isso, caro leitor, são mais historietas para o nosso próximo encontro.
