Pinke e sua filha Maria Antônia
Constantino Augusto Pinke, em seus últimos anos de vida, afirmava ser “um homem feliz”, pois sentia-se realizado em muitos aspectos, mas ainda seguia ativo em diversos serviços voluntários, como no departamento do professorado católico, nos cooperados salesianos e na Conferência do Sagrado Coração de Jesus.
Após a sua aposentadoria em Carioba, foi convidado pelo monsenhor Emílio José Salim, diretor das Faculdades Campineiras, hoje PUC Campinas, a ser o encarregado da clínica odontológica da recém-lançada Faculdade de Odontologia. Este convite era devido à experiência de Pinke na implantação do serviço de atendimento dentário aos alunos do Grupo Escolar de Carioba, que, como dissemos em nosso último encontro, foi a menina dos olhos do então diretor.
O professor Pinke, em meados da década de 1930, entrou em entendimento com o cirurgião dentista Teófilo Camargo, que atendia alguns dias da semana no bairro de Carioba, assim como com a direção da fábrica, para que o serviço dentário passasse a ser oferecido para os alunos do local.
Ficou assentado que o dentista fornecesse seu consultório, que a fábrica pagasse os honorários e a caixa escolar, criada por Pinke, fornecesse os medicamentos. Este serviço, prestado por anos, sob sua supervisão, foi seu grande orgulho.
Em fins da década de 1940, com a aquisição de Carioba pela família Abdalla, o professor Pinke apresentou-se aos novos proprietários para tomar conhecimento a respeito dos novos rumos do grupo escolar. A empresa continuou a ceder o prédio e dedicar atenção ao ensino no bairro, porém, em pouco tempo, decidiu que não continuaria pagando os honorários do dentista.
Diante desta resolução, Constantino Augusto Pinke, com 30 anos de magistério, 27 deles em Carioba, decidiu se aposentar, pois considerou o fato um retrocesso. Pelo decreto de 24 de agosto de 1948, assinado pelo governador Adhemar de Barros, aposentou-se nos termos do artigo 92 da Constituição do Estado, de 9 de julho de 1947.
No dia 2 do mês do professor, outubro, de 1977, após um mês em coma, faleceu por um acidente vascular cerebral. Está sepultado no Cemitério da Saudade de Campinas, na divisão da Irmandade do Santíssimo Sacramento. Através da lei estadual 2.655, de 30 de dezembro de 1980, a escola estadual do bairro São Luiz recebe o nome “Professor Constantino Augusto Pinke”, que até hoje é seu patrono.
Pinke e sua esposa Leontina, casados por 48 anos, tiveram uma filha, Maria Antônia, que seguiu a abnegada missão de seus pais: aprender para ensinar. Ela iniciou sua carreira, justamente em Carioba, em 1948, e se casou com o professor José Fairbanks Belfort de Mattos. Após a morte de seu pai, criou o prêmio “Professor Augusto Pinke”, para consagrar com medalha de honra ao mérito o aluno com média mais alta a cada ano.
Agradeço à professora Maria Antônia Ribas Pinke Belfort de Mattos a oportunidade de conhecer a vida de seu pai. Esses é o último de uma série de artigos sobre o professor, que humildemente dedico à memória da família.
